«Vivemos num século marcado - bem ou mal - pela globalização, que é hoje um desfio que não podemos continuar a ignorar. As tecnologias de informação e comunicação alteraram o quotidiano e as relações económicas, romperam barreiras geográficas e rasgaram novos espaços de liberdade.
Toda a gestão do Município - da participação em redes internacionais à atracção de pessoas, da geração de novas ideias à identificação dos cidadãos com a sua cidade - deve convergir para a diferenciação de uma metrópole que se quer atractiva. Caso contrário, ficaremos à margem.
Almada não pode perder mais tempo em soluções do passado. E isso vale tanto mais se falarmos de organização dos serviços, que deveriam ser isso mesmo - um serviço à população. Esta é uma autarquia que deveria ser amiga dos munícipes, das famílias e das empresas, leve na burocracia, rápida nas respostas, transparente nas decisões, próxima dos cidadãos, flexível na gestão, rigorosa na utilização do dinheiro público.
Ao invés, ao longo de décadas de poder, o Partido Comunista tem procurado tornar os serviços municipais numa coutada impenetrável, controlada e controladora. A máquina municipal é obesa, rígida, burocrática, lenta e pouco transparente.
Os recursos humanos consomem uma fatia enorme do orçamento, sem que tal se reflicta na vida dos cidadãos. Recuperando uma expressão do passado, com esta proposta, how many jobs for the boys?
A clareza de procedimentos tem dado lugar a concursos ambíguos, progressões assentes em critérios duvidosos, injustiças e perseguições. O apparatchik comunista tudo quer, em tudo manda, tudo controla, na ânsia de perpetuar aquilo que a história se tem encarregado de desmontar.
As respostas aos cidadãos são inexistentes, lentas ou equívocas. A burocracia é pesada. Decisões judiciais não são acatadas. Os serviços municipais são demasiadas vezes postos ao dispor de uma estratégia de propaganda e poder, de favorecimentos nem sempre compreensíveis. São gordos, ineficientes e caros, do urbanismo ao planeamento, das obras ao trânsito, da fiscalização à limpeza - expoente máximo do que é um município esquecido do quotidiano dos seus cidadãos.
Permitam-me aqui deixar claro que não incluo os SMAS nestas observações porque são, com todas as limitações, uma nota dissonante na prestação de um serviço público essencial de boa qualidade.
A proposta que hoje nos é apresentada nada adianta face a esta dispendiosa máquina partidária que há demasiado tempo tomou conta do que deveria ser de todos e para todos. A única novidade é a maioria que a apresenta. O matrimónio com o Bloco de Esquerda é, mais uma vez, confirmado e só nos resta esperar para ver se nos dizem qual é o dote.
Mais uma vez Almada perde a oportunidade de, com ideias e coragem, tornar a gestão autárquica ágil e moderna, ao serviço da população e da afirmação externa do concelho.
Disse.»
Fernando Sousa da Pena