segunda-feira, 23 de abril de 2012

Intervenção no debate do Relatório de Gerência e Contas


Hoje, a Assembleia Municipal está reunida para apreciar e votar mais um Relatório de Gerência e Contas do Município de Almada. Tal como se esperava, o texto, mais do que um retrato do desempenho da Câmara Municipal durante 2011, e do seu impacto na vida dos almadenses, é uma prosa de ficção, embora de valor literário bastante duvidoso…

Emerge do relatório um concelho tão idealizado quanto implausível, alimentado pela máquina de propaganda da maioria comunista, ao bom estilo de Pyongyang. Assim resulta das sucessivas páginas do documento, em que nos é contada a história de um município magistral e irrepreensível, onde tudo está feito ou, no mínimo, planeado para se fazer.

A Almada em que se cumpriu, cito, «uma nova etapa concretizada com êxito, no caminho da consolidação das condições que garantam uma vida cada vez melhor a todos os Almadenses», uma Almada em que sobressai a «exemplaridade no que à intervenção municipal diz respeito», uma Almada de, continuo a citar, «notáveis resultados».

Lido este documento, poderíamos ficar com a firme convicção de que a Câmara Municipal de Almada, liderada por pessoas de suprema competência que nunca se enganam, continua a transformar o concelho em algo que se pode aproximar a um paraíso na terra.

Mas esta Assembleia não é o júri de uns quaisquer jogos florais. Fora do texto ficcionado que nos foi entregue, há a realidade, aquela que é experimentada pelos cidadãos em cada dia, aquela que não se compadece com triunfalismos pacóvios nem com o controlo dos apparatchiki partidários.

Regozija-se a Câmara Municipal pelos resultados financeiros, tonando-os sinónimo de boa gestão. Falta referir que o saldo de gerência é construído à custa das inevitáveis receitas do betão – única estratégia consistente ao longo dos anos – e do crescente sacrifício de munícipes, famílias e empresas, que continuam, em Almada, a pagar impostos e taxas brutais.

Em Almada, um dos municípios da Área Metropolitana de Lisboa com maiores carências sócio-económicas, a Câmara Municipal não tem estratégia para atracção de investimento, definindo uma derrama penalizadora. Aos cidadãos, impõe uma taxa de IMI que deixa muitas famílias sem recursos, aprova taxas elevadas e que duplicam tributações, e ainda arrecada os 5% de IRS de que poderia aliviar os almadenses. Tudo para alimentar uma máquina autárquica obesa e despesista, que sustenta clientelas partidárias e os desvarios da maioria.

Poderia ser diferente? Claro que sim. Veja-se o município de Ponte de Lima. Para lá de isentar os cidadãos de 5% de IRS, há derrama zero para todas as empresas. Por outro lado, a Câmara Municipal tem apenas quatro chefes de divisão, não tem directores de departamento, não há empresas municipais, o presidente e os vereadores não têm cartão de crédito nem motorista.

Ah! Mas é claro. A Câmara Municipal de Ponte de Lima não oferece relógios comprados a empresas de estudos e projectos, não organiza faustosas almoçaradas, não paga ferrugem a preço de arte a um camarada do partido, não contrata artistas a dezenas de milhares de euros, não edita livros inúteis a mais de 40 euros o exemplar, não compra actualizações milionárias de software banal, não tem fontes cibernéticas, não enterra dinheiro em colectividades controladas pelo partido, não tem uma empresa de estacionamento com buracos financeiros, não suporta com os recursos público a Festa do Avante, nem tem os familiares do presidente e os amigos do partido de turbo ligado a subir na carreira.

Regressemos, então, à realidade de 2011.

Ano em que mais de metade da receita corrente do Município foi proveniente do sector imobiliário, escolhido que foi o betão como o grande desígnio do concelho.

Em 2011, a Câmara Municipal de Almada gastou cerca de dois milhões de euros em subsídios e publicidade. Só para a Academia Almadense, a autarquia decidiu transferir 750 mil euros, mesmo depois do uso injustificado que a colectividade fez da transferência anterior de 300 mil euros. Por estranha maquinação do destino, a colectividade foi presidida pelo chefe de gabinete da Senhora Presidente da Câmara.

Em 2011, a Polícia Judiciária continuou a visitar instalações municipais, em processos de que a Presidente da Câmara não presta esclarecimentos aos munícipes, preferindo acusar de «terrorismo político» e «complô organizado» aqueles que fazem as perguntas óbvias sobre o assunto.

Foi em 2011 que soubemos haver documentos apreendidos sobre a ETAR da Mutela, no âmbito de um inquérito do Ministério Público que investiga a prática de crimes de tráfico de influências, peculato, participação económica em negócio e fraude na obtenção de subsídios.

Em 2011, o Senhor Provedor de Justiça pronunciou-se contra a Estrada Regional 377-2, o cavalo de Tróia desta Câmara Municipal em Paisagem Protegida, Reserva Agrícola, Reserva Ecológica e Reserva Botânica. No mesmo ano, o Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território pronunciou-se contra esta obra, pelos seus impactos irreversíveis e danosos.

Em 2011, a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos e o Senhor Provedor de Justiça instaram a Câmara Municipal a cumprir a lei de acesso a estes documentos. Ainda assim, uma cidadã necessitou de recorrer a uma intimação judicial com vista a obter documentos que lhe foram persistentemente negados pela autarquia.

Em 2011, a Câmara Municipal de Almada continuou a recusar-se a prestar contas da sua gestão, com respostas vagas, muito incompletas e inócuas a requerimentos e questões concretas de deputados municipais.

Em 2011, a Senhora Presidente da Câmara de Almada recusou enviar a um deputado municipal o Plano Municipal de Protecção Civil em vigor, desrespeitando gravemente as competências desta Assembleia e mantendo escondida a sua negligência.

Em 2011, continuou o cerco aos comerciantes do centro da cidade, consequência de uma teimosia trágica da Câmara Municipal.

Em 2011, os habitantes e os comerciantes de Cacilhas constataram que a Câmara nada aprendeu com os erros grosseiros no centro de Almada, alargando o disparate à freguesia vizinha.

Em 2011, a Ecalma continuou a dar prejuízo ao Município e a manifestar uma actuação inconsistente, mostrando a inutilidade da sua existência.

Em 2011, a Costa da Caparica continuou a contemplar o cadáver de um Polis incompetente e violador da paisagem e do ambiente, num cenário desleixado e decadente, que não consegue explicar as dezenas de milhões de euros que custou aos contribuintes.

Em 2011, a Câmara Municipal fez aprovar uma suspensão parcial do Plano Director Municipal, com uma fundamentação atabalhoada e propósitos ambíguos.

Em 2011, o espaço público continuou sujo e vandalizado, sendo a imagem de marca de uma gestão municipal que desistiu dos almadenses.

Em 2011, mais um ano de esquecimento e degradação passou sobre património histórico e cultural de elevado interesse: a Torre Velha (a mais antiga fortificação marítima portuguesa), o Chalé Ribeiro Telles (de recuperação propagandeada pela Câmara em 2007), a Quinta da família Gomes e a nora de ferro, a Quinta da Arealva, as baterias de Alpena e Raposeira, a Quinta de Santa Rita ou a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, para dar alguns exemplos, foram afastadas das prioridades da Câmara Municipal, mais preocupada com foguetório, promoção imobiliária e propaganda.

Em 2011, Almada continuou a passar ao largo das oportunidades turísticas que o seu potencial geográfico, histórico e humano reclama. Segundo palavras do Prof. João Joanaz de Melo, presidente do GEOTA, «não se vislumbra qualquer estratégia ou conceito de destino turístico.»

Em 2011, a população do Vale da Sobreda permaneceu sitiada num território indecorosamente esquecido pela Câmara Municipal e entregue a condições de vida indignas.

Em 2011, a Câmara Municipal de Almada investiu dezenas de milhares de euros em planos bacocos de combate às alegadas alterações climáticas, cujas teses catastrofistas e propostas histéricas ao estilo de seita religiosa, estão desacreditadas na comunidade científica. O escândalo Climategate, que revelou a manipulação de dados por colaboradores do IPCC, deveria ser suficiente para a nossa autarquia revelar juízo no desperdício do dinheiro dos cidadãos.

Ainda em 2011, a Câmara persistiu em gastos absurdos em acções vazias, no âmbito de uma Semana da Mobilidade folclórica e inconsequente. Precisamente a mesma Câmara que pretendia construir uma estrada criminosa e habitação social em solo com diversas protecções ambientais, entregando a paisagem e o património natural à voracidade da especulação imobiliária.

Em 2011, a Câmara Municipal continuou a entreter-se com estudos e análises sobre agricultura urbana, mas nada concretizando, quando outros municípios em menos tempo fizeram muito mais, numa matéria que se assume cada vez mais como uma prioridade, e pela qual o CDS há tantos anos se bate nesta Assembleia.

Em 2011, a Câmara Municipal decidiu deixar parte do território mergulhada na escuridão, num plano desmiolado de alegada poupança energética que coloca em causa a segurança das pessoas e do seu património. Ao mesmo tempo, insistiu em luminárias ultrapassadas que desperdiçam electricidade e originam um ambiente urbano menos acolhedor.

Foi também em 2011 que, demasiadas vezes, o nome de Almada surgiu na comunicação social devido à criminalidade violenta, que não se pode dissociar de um ambiente urbano descuidado e de um espaço público que não cativa os cidadãos.

Em 2011, a maioria comunista, rejeitou um projecto do CDS para a criação de um Programa Municipal para os Idosos, com vista a que, para lá de condições de vida independente e digna, no ambiente que construíram e entre aqueles que amam, a comunidade lhes proporcionasse oportunidades para valorizar as suas experiências e para partilhar os seus valores. Mas a CDU não se importa de sacrificar os que mais precisam à sua cegueira ideológica.

Foi assim em 2011. E não tem sido por falta de propostas alternativas, a que a Câmara Municipal fecha os ouvidos, convencida que está de ser detentora das verdades absolutas. Não ignoramos as decisões meritórias do executivo, mas não podemos deixar de notar a distância entre a Almada de fantasia que este Relatório nos apresenta, e a dura realidade que encontramos diariamente. Podia-se ter feito mais, melhor e com menos custos. É nosso dever exigi-lo aos que foram eleitos para isso.

Almada não merecia o estado de decadência urbanística, paisagística, social e democrática a que a maioria comunista conduziu aquela que poderia ser uma metrópole viva e pujante.


sábado, 21 de abril de 2012

Toponímia de Almada

O texto seguinte foi apresentado na Assembleia Municipal de Almada de 19 de Abril. A esquerda chumbou o projecto, zelosa das avenidas, ruas, praças, largos e travessas com o nome de MFA, e das placas toponímicas que ostentam a foice e o martelo.

Fica pelo menos a esperança de que tais objectos sejam daqui a uns tempos um espólio arqueológico, legado pelos senhores deputados municipais que ficaram agarrados a um período negro da história da humanidade.



ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ALMADA
PROJECTO DE RECOMENDAÇÃO

A toponímia de um local constitui a recordação de acontecimentos e costumes, a conservação da memória cultural, a preservação da identidade de um povo, a homenagem a pessoas.

As placas toponímicas dão corpo a essa vontade, despertam o interesse, permitem manter um vínculo ao passado da terra e das suas gentes, ajudam a compreender o presente. Elas são um álbum diversificado, por vezes pitoresco, que não deve estar sujeito a conjunturas, fantasias ou controlo ideológico.

«Sendo racionais e distintivos, os topónimos nunca poderão entretanto ser entendidos sem o contexto em que se inserem ou inseriram. A nomeação de um lugar nunca pode separar-se da sua geografia, da sua história e da sua mitologia. Embora nem todos os nomes vejam o(s) seu(s) significado(s) apoiado(s) em múltiplas referências contextuais, parece-me imprescindível trabalhar nesta base metodológica, que não dispensa o conhecimento integrado da cultura local nas suas várias dimensões.» (Ruy Ventura)

Até ao século XIX, a toponímia urbana era essencialmente funcional. «A toponímia antiga, fosse rural ou urbana, partia do conhecimento profundo dos lugares, nascendo da observação cuidada e experimentada para a nomeação dos múltiplos espaços da localidade e sua envolvência.» (idem). Só a partir dessa data começou a ser permeável a objectivos doutrinários e a estratégias de regime, desligando-se frequentemente da memória colectiva.


A Assembleia Municipal de Almada, reunida a 19 de Abril de 2012, recomenda à Câmara Municipal de Almada:

1) a criação de uma Comissão de Revisão de Toponímia, com vista a que os topónimos sejam mais fieis à geografia e à história do concelho de Almada, e à sua memória colectiva, o que permitirá uma maior identificação dos cidadãos com a sua terra;
2) a adopção do método etnológico na revisão da toponímia;
3) a eliminação de quaisquer símbolos partidários das placas toponímicas, reconhecidas como espaço de preservação de identidade da terra e não de propaganda política.


Os Deputados Municipais proponentes,

Fernando Sousa da Pena
António Pedro Maco

domingo, 1 de abril de 2012

A deriva maçónica do CDS

1. O Dr. Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, sugeriu a demissão do Dr. Ribeiro e Castro. Compreendo. O Dr. Nuno Magalhães, na sua obediência maçónica, não aceita que alguém prefira obedecer à sua consciência. Mas podia, pelo menos, respeitar tudo o que o Dr. Ribeiro e Castro já deu ao partido e ao país.


2.Enquanto militante do CDS, é com alegria que vejo conselheiros nacionais leais ao património ideológico do partido, firmes nos princípios, rectos nos juízos. Obrigado, Fernando Camello de Almeida, Filipe Anacoreta Correia, Filipe Matias Santos, Gonçalo Vassalo Moita, João Osório, José Gagliardini Graça, João Lencastre e Távora, José Manso Preto, Miguel Saldanha Alvim, Pedro Melo, Pedro Pestana Bastos e Pedro Sampaio Nunes.


3. O Conselho Nacional do CDS rejeitou uma proposta para manter o partido fiel ao seu Programa, à sua Carta de Princípios e à sua história. Cada vez mais vazio ideologicamente, o CDS è um cata-vento de circunstância, em que o único critério visível é a vassalagem à Direcção Nacional.  Na sua deriva maçónica, o CDS de hoje é uma caricatura que me envergonha enquanto militante. Pobre partido...

sábado, 24 de março de 2012

Escravatura Fiscal


















Em Setembro de 2010 era assim:

«Em conferência de imprensa para apresentar as linhas principais do projecto de revisão constitucional, que dará entrada no Parlamento na próxima quarta feira, Paulo Portas destacou a fixação de um limite à carga fiscal de 35 por cento do PIB.

A cobrança de impostos a partir dos 35 por cento, "já não é imposto, é esbulho".»

Um ano depois, António Pires de Lima (CDS) lembra, e bem:

«Ainda sobre impostos, APL é contra a forma como se onerou o trabalho: uma escravatura fiscal. Quando Sócrates era PM, Paulo Portas acusava o anterior de Governo de confisco e esbulho fiscal. Agora Pires de Lima prefere falar em escravatura fiscal

Ainda assim, vejo no meu partido uma atitude acrítica de veneração a um líder que desdiz no governo tudo aquilo com que se comprometeu com os portugueses.



«Tenho um pedido a fazer aos membros deste Governo: não anunciem mais planos de redução da despesa.

Prometo esquecer-me da famosa proclamação do primeiro-ministro, aquela em que Passos Coelho dizia existirem dois caminhos para a solução do problema do défice: reduzir a despesa ou aumentar impostos, sendo a dos socialistas a segunda e a dele a primeira.

Vou varrer da minha memória as afirmações grandiloquentes de actuais responsáveis governamentais, que juravam a pés juntos haver um plano detalhado para o corte nos gastos supérfluos do Estado.

Assobiarei para o lado quando me recordarem as palavras do primeiro-ministro no Pontal, quando assegurava que até dia 31 de Agosto o grande plano ia ser apresentado e até Outubro estaria executado.

Fingirei que não percebo nada de aritmética quando me falarem de um terço para isto e dois terços para aquilo. Estou disposto a jurar que quando Passos Coelho disse que seria intransigente na questão das deduções dos gastos em educação, habitação e saúde em sede de IRS e jamais as aprovaria, foi mal interpretado e não era isso exactamente que queria dizer.

Quando Paulo Portas aparecer na televisão, vou só concentrar-me nas suas tarefas de ministro de Negócios Estrangeiros e não matutarei no esbulho fiscal que estava em marcha há uns meses.

Vou deitar fora o livrinho do Álvaro, o ministro, para não ler o que ele escrevia sobre aumentos de impostos e a facilidade com que se ia cortar na despesa. "Cortes históricos" e "maior redução da despesa dos últimos cinquenta anos" são frases que não utilizarei. Sempre que ouvir falar em gordura, direi que desta vez vou mesmo emagrecer. 

Não voltarei a perguntar onde é que afinal está o desvio colossal (o tal que existe mas ninguém diz onde) e desprezarei essa inutilidade chamada boletim de execução orçamental, que teima em malevolamente mostrar que até Junho a despesa desceu e a partir dessa data desatou a subir.

Estou disposto a isto tudo mas, por favor, não anunciem que neste ou naquele dia vão apresentar medidas de corte na despesa. É que é certo e sabido que vem aí um anúncio de mais impostos, o fim de deduções fiscais ou uma subida de preços.»

Pedro Marques Lopes

terça-feira, 20 de março de 2012

Como anda a Câmara de Almada a esbanjar o dinheiro dos contribuintes (parte 3)

REQUERIMENTO

Exmo. Senhor 
Presidente da Assembleia Municipal de Almada

O Município de Almada procedeu a um ajuste directo [no valor de 6750 euros], registado com o nº 350360, à Cedia, no dia 30 de Setembro de 2011, para aquisição de serviços de alteração de software (carta desportiva e apoio ao associativismo), para incluir novas funcionalidades. 

Ao abrigo das disposições legais e regimentais, venho solicitar à Senhora Presidente da Câmara Municipal de Almada resposta clara e completa às seguintes questões.

a) Quais são as operações proporcionadas pelo software em questão? 

b) Que novas funcionalidades foram incluídas?

c) Quais foram os critérios de escolha desta empresa para o ajuste directo?


Almada, 29 de Fevereiro de 2012

Fernando Sousa da Pena
Deputado Municipal do CDS-PP

terça-feira, 13 de março de 2012

Como anda a Câmara de Almada a esbanjar o dinheiro dos contribuintes (parte 2)

REQUERIMENTO

Exmo. Senhor
Presidente da Assembleia Municipal de Almada



O Município de Almada procedeu a um ajuste directo [no valor de 8.500,20 euros], registado com o nº 340720, à Ghesa, no dia 6 de Setembro de 2011, para manutenção electromecânica da Fonte Cibernética da Praça da Liberdade. 


Ao abrigo das disposições legais e regimentais, venho solicitar à Senhora Presidente da Câmara Municipal de Almada resposta clara e completa às seguintes questões.



a) Com que periodicidade é efectuada esta manutenção? 


b) Qual é o custo anual de manutenção da fonte?


c) Que operações técnicas foram efectuadas na intervenção respeitante a este ajuste directo?




Almada, 29 de Fevereiro de 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Saque fiscal


Transcrevo um artigo pertinente. Infelizmente, este governo mais não faz do que a receita de sempre: esbulhar os contribuintes, num saque brutal que vai deixar muitas famílias no desespero.

Em Almada, um dos municípios da Área Metropolitana de Lisboa com maiores carências sócio-económicas, a Câmara Municipal segue o mesmo rumo. Impostos e taxas elevadíssimos, a que se juntam os 5% de IRS de que poderia aliviar as famílias do concelho. Tudo para alimentar uma máquina autárquica obesa e despesista, que sustenta clientelas partidárias e desvarios da Presidente.

Poderia ser diferente? Claro que sim. Veja-se o município de Ponte de Lima. Para lá de isentar os cidadãos de 5% de IRS, há derrama zero para todas as empresas.Por outro lado, a Câmara Municipal tem apenas quatro chefes de divisão, não tem directores de departamento, não há empresas municipais, o presidente e os vereadores não têm cartão de crédito nem motorista.

Ah! Mas é claro. A Câmara Municipal de Ponte de Lima não oferece relógios de ouro, não organiza faustosas almoçaradas, não paga ferrugem a preço de arte a um camarada do partido, não contrata artistas a 20 mil euros, não edita livros inúteis a mais de 40 euros o exemplar, não enterra dinheiro em colectividades controladas pelo partido, não tem uma empresa de estacionamento com buracos financeiros, nem tem os familiares do presidente e os amigos do partido a subir a jacto na carreira.


A punção fiscal











João Cândido
da Silva

Crise após crise orçamental, a cobrança de mais receitas fiscais foi o principal expediente usado para corrigir um défice público que raramente deixou de ser excessivo.
Crise após crise orçamental, a cobrança de mais receitas fiscais foi o principal expediente usado para corrigir um défice público que raramente deixou de ser excessivo. Como um doente ávido de uma droga para poder viver e sobreviver, o Estado foi sempre aumentando a pressão da carga fiscal sobre as famílias. Sob a promessa, jamais cumprida, de que iria curar os seus maus hábitos e mudar de vida.

A história é a que se conhece. Pelo menos desde a adesão ao euro, as despesas públicas nunca foram colocadas na ordem. E o admirável mundo novo de um país com finanças sãs e um orçamento sólido transformou-se num mito tão perfeito quanto o que prometia o regresso de D. Sebastião.

Com a chegada do período do ano em que os contribuintes singulares entregam as declarações de rendimentos, é dado o primeiro passo para se acertarem contas entre os cidadãos e os cofres do Estado. É o momento do ano em que em que cada um vai ficar a saber, com rigor, como evoluiu, em relação ao exercício anterior, a sua taxa efectiva de imposto sobre o rendimento.

As notícias não vão ser boas. As restrições às deduções vão fazer sentir o seu efeito como uma forma de aumentar o IRS sem ser necessário mexer nas respectivas taxas. Milhares de famílias que tinham direito a receberem um reembolso vão ser forçadas a entregar mais dinheiro e a talhada vai provocar dor naquelas famílias que, não sendo ricas, são tratadas pelo Fisco como se o fossem.

O acerto de contas no IRS de 2011 será, ainda assim, apenas uma pequena parte de uma dolorosa punção fiscal perpetrada por um Estado mal gerido, mal governado, tomado de assalto pela incompetência e pela cupidez de quem ocupou o poder e de quem se serviu dele. Quando, daqui por um ano, os contribuintes declararem os rendimentos de 2012, perceberão que a voracidade fiscal terá piorado. Se forem proprietários de uma casa através do recurso a um financiamento bancário, é normal que se sintam cercados por todos os lados.

O imposto municipal sobre imóveis é uma bomba ao retardador. E os tiros de artilharia que vai disparar sobre os contribuintes começam agora a ser percepcionados. A reavaliação dos imóveis vai provocar fortes subidas no valor do IMI, a que se junta o facto de a possibilidade de dedução de uma parte dos encargos com os empréstimos para comprar casa ser drasticamente reduzida este ano. Ter uma casa, sonho de uma vida e o maior investimento que a maior parte das famílias faz durante a sua existência, vai assemelhar-se a um pesadelo.

A perspectiva de que as taxas de juro de referência para o crédito à habitação não deverão subir tão cedo, evita males ainda maiores. Mas está nas mãos dos municípios, de quem depende a fixação das taxas do IMI, conseguir suavizar os impactos duros desta calamidade fiscal. É um teste para se ficar a saber se a "proximidade" dos cidadãos é apenas retórica inconsequente do poder local ou se significa algo mais sério.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Como anda a Câmara de Almada a esbanjar o dinheiro dos contribuintes (parte 1)


REQUERIMENTO



Exmo. Senhor
Presidente da Assembleia Municipal de Almada
O Município de Almada procedeu a um ajuste directo, registado com o nº 351071, no valor de 11.708,00 euros, à Luso Events, no dia 23 de Setembro de 2011, para prestação de serviços para produção de espectáculo integrado na Semana da Mobilidade.


Ao abrigo das disposições legais e regimentais, venho solicitar à Senhora Presidente da Câmara Municipal de Almada resposta clara e completa às seguintes questões.

a) Que serviços foram contratados à empresa?


b) Quais foram os critérios de escolha desta empresa?

c) Qual é o número estimado de pessoas que assistiram ao espectáculo?

d) Quais foram as razões que determinaram a decisão deste gasto pela Câmara Municipal?


Almada, 29 de Fevereiro de 2012


Fernando Sousa da Pena

Deputado Municipal do CDS-PP 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Muitos estudos, pouco acerto


O centro de Almada seria uma anedota nacional, o resultado de mais um disparate de autarcas desmiolados, não fossem os resultados trágicos para o comércio e para a vida dos cidadãos. Aquele que deveria ser um motor vibrante da cidade é um espectáculo degradante.


No entanto, a Câmara Municipal de Almada decidiu gastar 11 mil euros do dinheiro dos contribuintes num estudo de mercado sobre o centro de Almada. Tantos meses passados, desconhece-se os resultados e as consequências desse estudo.  Ontem entreguei o requerimento abaixo, para obter informações sobre o assunto. Afinal, só não está tudo na mesma porque está tudo pior...





REQUERIMENTO

Exmo. Senhor
Presidente da Assembleia Municipal de Almada

O Município de Almada procedeu a um ajuste directo, registado com o nº 341606, à Consulmark 2, no dia 30 de Agosto de 2011, para um estudo de opinião sobre o Centro de Almada.

Ao abrigo das disposições legais e regimentais, venho solicitar à Senhora Presidente da Câmara Municipal de Almada resposta clara e completa às seguintes questões.

a) Que aspectos foram analisados no estudo de opinião?

b) Por que razão decidiu a Câmara Municipal de Almada encomendar este estudo?

c) Quais foram os resultados do estudo?

d) Que consequências na gestão municipal produziram os resultados do estudo?

Solicito, ainda, uma cópia do relatório produzido pela empresa e a respectiva ficha técnica, preferencialmente em formato digital.


Almada, 29 de Fevereiro de 2012

Fernando Sousa da Pena
Deputado Municipal do CDS-PP

O poder local soma e segue para o abismo

«Pedro Passos Coelho apresentou ontem a sua recandidatura à liderança do PSD. Ao seu lado, como sempre, lá estava Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu, pai das rotundas portugueses e também presidente da Associação Nacional de Municípios. Dito isto, percebem-se muito bem as dificuldades do poder político, do governo, do independente e rigoroso ministro das Finanças e da própria troika em pôr na ordem o poder local. Há muitos anos que tomaram o freio nos dentes e não há crise, austeridade e sacrifícios que os comovam.

Os autarcas do bloco central, do PSD e do PS, que controlam mais de 90% das autarquias do país, são os verdadeiros donos dos partidos e os padrinhos de todos os líderes. Não há vitórias eleitorais sem o apoio empenhado dos autarcas e também não há financiamento partidário sem a boa vontade dos eleitos locais.

O governo, este e os que o antecederam, está prisioneiro desta lógica perversa, em que o poder local dita as regras do jogo, bate o pé quando algo não é do seu agrado e consegue, sem excepção, levar a água ao seu moinho. É por isso que a carta enviada pelos ministros Vítor Gaspar e Miguel Relvas aos municípios, suplicando-lhes que divulguem todos os calotes e não escondam cadáveres nos armários, é perfeitamente patética. Apelar ao patriotismo, ao sentido de Estado, à lealdade, à credibilidade e à responsabilidade dos autarcas é admitir que o poder central é incapaz de se impor e de se fazer respeitar pelos autarcas.

No fundo, é a confissão de uma total impotência para levar a lei e a ordem aos 308 municípios. Esta impotência não é de agora. Já se manifestou quando o governo desistiu de avançar com a redução de câmaras municipais, recuou nos limites ao endividamento e abriu uma série de excepções à redução de funcionários. E mesmo no escandaloso dossiê das empresas municipais ainda é cedo para se perceber o que vai realmente acontecer.

É patético ver um governo no poder há oito meses saber tudo o que se passa nas empresas públicas, na administração central, nas regiões autónomas e nos bancos e continuar às cegas quanto às dívidas das câmaras e dos seus inúmeros apêndices empresariais. Se não fosse uma tragédia, dava uma excelente anedota. O rigor, a austeridade e até os elogios da troika ao cumprimento do Memorando encalham no querido poder local.

Ainda ontem, na conferência de imprensa dada por Vítor Gaspar sobre a terceira avaliação externa, o ministro das Finanças não escondeu uma certa ironia quando afirmou que sabia da existência de um número sobre as dívidas das câmaras, mas não se lembrava qual era. Pois não, senhor ministro. Não sabe o senhor e muito menos o ministro que tutela os senhores que mandam nos partidos e impõem a sua lei ao país. O poder local anda há muito tempo a brincar com as empresas e com o trabalho de milhões de portugueses.

Faz muitas obras de fachada, em particular nos anos em que é preciso captar os votos do eleitorado, e demora eternidades a pagar as facturas. E ninguém o põe na ordem. Percebe-se porquê. É que quem manda pode. E quem manda neste país, infelizmente, já não é o Terreiro do Paço. Por obra e graça dos degradados pilares desta pobre e miserável democracia de mão estendida.»


António Ribeiro Ferreira